
O Projeto Canastras e Colmeias surgiu em 2015, inicialmente como complemento de uma pesquisa para mapear a ocorrência do tatu-canastra no Cerrado de Mato Grosso do Sul. Durante os trabalhos de campo, os especialistas em fauna interagiram com mais de mil produtores rurais para obter acesso às terras privadas. Nesse processo, identificaram um conflito inesperado: os tatus-canastra, gigantes ameaçados de extinção, passaram a derrubar colmeias em busca de larvas de abelhas.
O canastra se alimenta mais frequentemente de cupins e formigas, mas pode recorrer às larvas de abelhas quando encontram fácil acesso e, sobretudo, quando há escassez de seu alimento natural nos fragmentos de Cerrado. O problema ocorre porque os apicultores instalam suas colmeias justamente nas áreas de vegetação nativa, que também são habitat essencial para os tatus-canastra. Com o avanço do desmatamento e a redução da oferta natural de alimento, o tatu-canastra tem recorrido às colmeias, causando prejuízos significativos à produção de mel e seus derivados.
No levantamento realizado pelo Projeto, foram mapeados 178 apiários em colaboração com 10 associações de apicultores. O estudo revelou que 73% destes locais sofreram danos causados pelos tatus-canastra nos cinco anos anteriores à pesquisa, sendo 46% apenas no último ano. Para entender melhor o conflito, os pesquisadores instalaram câmeras acionadas por movimento em alguns apiários, registrando o comportamento dos tatus-canastra e de outros animais silvestres que se aproximavam das caixas destruídas.
Para promover, então, a convivência pacífica entre apicultores e o tatu-canastra, foi desenvolvido o Guia de Convivência entre Apicultores e Tatus-Canastra no Cerrado do Mato Grosso do Sul, que reúne informações sobre o comportamento da espécie e apresenta estratégias eficazes para proteger os apiários sem prejudicar a fauna local. Entre as soluções propostas, estão a instalação de cercas em torno dos apiários ou o uso de cavaletes altos e firmes para manter as colmeias fora do alcance do tatu-canastra. Todas as medidas foram testadas e avaliadas quanto à eficácia, custos e facilidade de instalação.
Além de testar e avaliar as medidas de mitigação já utilizadas pelos apicultores, selecionando para o guia aquelas mais eficientes e adequadas às necessidades de cada apiário, o Projeto Canastras e Colmeias também desenvolveu benefícios para valorizar e apoiar os apicultores comprometidos com a preservação da fauna silvestre. Dois importantes benefícios são o Selo “Amigo do Tatu-Canastra” e o Programa Rainhas. Ainda, o Projeto vem promovendo ações e oficinas voltadas ao estímulo da economia criativa e do desenvolvimento socioeconômico das comunidades onde atua, com o objetivo de estimular a independência econômica não só dos apicultores certificados, mas de todos os parceiros e parceiras da conservação do tatu-canastra.
Atualmente, o Projeto conta com cerca de 100 apicultores certificados e expandiu sua atuação em quatro Estados brasileiros: Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Pará. A iniciativa trabalha não apenas com micro e pequenos produtores, mas também com associações, cooperativas e comunidades indígenas, fortalecendo a apicultura sustentável e a conservação do tatu-canastra em diferentes realidades e territórios.
O Projeto Canastras e Colmeias mostra que, com conhecimento e manejo adequado, é possível garantir a sustentabilidade da apicultura enquanto se preserva uma das espécies mais fascinantes da fauna brasileira. Ao escolher produtos certificados pelo Projeto, você incentiva práticas responsáveis e mais sustentáveis e ajuda a proteger o nosso gigante da biodiversidade.
O selo Amigo do Tatu-Canastra foi criado para reconhecer os apicultores que adotam práticas de manejo sustentável, capazes de proteger tanto as colmeias quanto o tatu-canastra. Em parceria com os produtores, foram desenvolvidas diversas técnicas para reduzir os ataques aos apiários sem prejudicar a fauna local.
Os produtos (mel e derivados) desses apicultores recebem a certificação do selo, identificando que a produção ocorre em harmonia com a preservação ambiental. Esse diferencial tem gerado impactos positivos: as vendas dos produtos certificados aumentaram cerca de 20% e o valor agregado do mel teve um acréscimo de 15%. Além de valorizar a biodiversidade, o selo incentiva práticas mais sustentáveis no setor apícola e oferece aos consumidores a oportunidade de contribuir ativamente para a conservação do tatu-canastra ao escolher produtos com a certificação.
O Programa Rainhas foi desenvolvido para apoiar os apicultores que sofreram grandes perdas devido aos ataques do tatu-canastra. Muitos produtores chegaram a perder parte significativa das suas colmeias. Pensando nisso, o Projeto decidiu ajudar diretamente na recuperação da produção.
A iniciativa oferece abelhas rainha de linhagem selecionada e alta qualidade para os apicultores parceiros, possibilitando a recomposição dos enxames afetados e garantindo o retorno da produtividade nos apiários. Essa ação é especialmente importante para pequenos produtores, que muitas vezes não possuem certificação sanitária formal, mas ainda assim são impactados economicamente pelos ataques do tatu-canastra.
Entre as metas do Projeto, está a distribuição de centenas de abelhas rainha nos próximos meses, beneficiando dezenas de apicultores e demonstrando que é possível equilibrar a proteção da biodiversidade com o desenvolvimento sustentável da apicultura no Cerrado.
O tatu-canastra (Priodontes maximus) ocorre apenas na América do Sul, incluindo os biomas: Pantanal, Amazônia, Cerrado e fragmentos da Mata Atlântica no Brasil. Medindo cerca de 1,5m de comprimento e pesando até 50kg, é difícil de ser avistado devido à baixa densidade populacional. As fêmeas têm uma gestação de 5 meses, com um único filhote a cada 3-4 anos. Suas garras poderosas permitem que escavem tocas de até 5 metros. Quando abandonam suas tocas, passam a ser utilizadas como refúgio por mais de 70 espécies, e por isso ele é conhecido também como engenheiro do ecossistema. Apesar de sua importância ecológica, a espécie está ameaçada de extinção principalmente devido à perda do seu habitat natural.
O projeto Canastras e Colmeias surgiu a partir da necessidade de promover uma melhor convivência entre os apicultores e o tatu-canastra, espécie ameaçada de extinção. As mesmas áreas de florestas que os apicultores utilizam para colher o mel de floradas nativas são também as poucas áreas restantes de mata de que os tatus-canastra dependem para sobreviver. Com o desmatamento e a consequente redução na disponibilidade de alimentos, o tatu-canastra aprendeu a derrubar as colmeias em busca de larvas de abelha, causando danos e prejuízos para quem trabalha com a produção de mel e derivados. Assim, criamos o “Guia de Convivência entre apicultores e tatus-canastra no Cerrado do Mato Grosso do Sul”, um material que reúne técnicas testadas e propostas pelos próprios apicultores para evitar que as colmeias sejam atacadas pelo tatu-canastra.
O Apiário Serra da Bodoquena, que possui esse nome por ter começado na região de serra que divide o planalto com o Pantanal, foi um dos primeiros a ser certificado como “Amigo do Tatu-canastra”, uma iniciativa do Projeto Canastras e Colmeias, que estuda e propõe soluções para promover a convivência pacífica entre apicultores e tatus-canastra no Cerrado de Mato Grosso do Sul, garantindo a necessária proteção para as colmeias e à fauna silvestre. São diversos produtos comercializados pela empresa, mas os queridinhos do público são os méis de florada de Aroeira, Cipó-uva e Silvestre. Assista ao vídeo e conheça um pouco mais sobre o Apiário Serra da Bodoquena e suas floradas.
Atua nas áreas de Biologia da Conservação, pesquisa e ecologia de espécies e uso de recursos naturais. Trabalhou e morou em Belize, Argentina, Bolívia…
Atua nas áreas de Biologia da Conservação, pesquisa e ecologia de espécies e uso de recursos naturais. Trabalhou e morou em Belize, Argentina, Bolívia, Nepal e agora está no Brasil há 20 anos. Em 2002 passou a viver e trabalhar no Mato Grosso do Sul, onde fundou a ONG ICAS para dar suporte administrativo aos dois projetos que coordena: Programa de Conservação do tatu-canastra e Projeto Bandeiras e Rodovias. Seu trabalho foi apresentado na National Geographic, BBC Nature e na PBS (Public Broadcasting Service). Arnaud é reconhecido como um grande nome da conservação mundial, tendo sido agraciado com o Whitley Award em 2015, um prêmio que é considerado o Oscar da Conservação!
Médico Veterinário graduado pela Universidade Paulista (2003), possui experiência em Medicina de Animais Selvagens, Medicina da Conservação e…
Médico Veterinário graduado pela Universidade Paulista (2003), possui experiência em Medicina de Animais Selvagens, Medicina da Conservação e pós-graduação latu sensu em clínica e cirurgia de animais selvagens.
Atuação: Desde 2004, atua como pesquisador em projetos de conservação com foco em mamíferos neotropicais. Desde 2011, é veterinário do Projeto Tatu-Canastra, Mestre em Ciências pelo Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo e pesquisador associado do Zoológico de Naples, Flórida, EUA.
Graduado pela Universidade Federal da Grande Dourado (2009). Realizou estágios curriculares e extra-curriculares em projetos de conservação com experiência em captura…
Graduado pela Universidade Federal da Grande Dourado (2009). Realizou estágios curriculares e extra-curriculares em projetos de conservação com experiência em captura, manejo, monitoramento e conservação de animais selvagens, com foco em Xenarthras. Desde 2012, é membro do Projeto Tatu-Canastra e desde 2013 atua como pesquisador associado do Instituto de Pesquisas Ecológicas - IPÊ e do Zoológico de Houston, Texas, EUA
Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Mestre em Biologia Animal pela UFMS e especialista em apicultura…
Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Mestre em Biologia Animal pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e especialista em Apicultura e Meliponicultura pela Universidade de Taubaté.
Mantém apiários destinados a produção de mel e meliponários voltados à produção de colônias de abelhas sem ferrão nativas do Mato Grosso do Sul. Trabalha também com educação ambiental, consultoria e assistência técnica em apicultura e meliponicultura. Possui experiência na utilização de medidas mitigatórias não letais para impedir a predação de colmeias por tatus-canastra e atualmente coordena o projeto Canastras e Colmeias
Médico Veterinário especializado em animais silvestres formado pela USP em 1985. A Educação Ambiental foi uma das principais áreas de trabalho dentro dos projetos de conservação onde atuou…
Médico Veterinário especializado em animais silvestres formado pela USP em 1985. A Educação Ambiental foi uma das principais áreas de trabalho dentro dos projetos de conservação onde atuou. E o desenho da natureza sempre foi uma ferramenta valiosa para o melhor desenvolvimento destes trabalhos. Veio para o MS integrando equipe que criou o projeto de Eco Turismo hoje conhecido como Caiman, no Pantanal de Miranda. Lá colaborou com o Projeto Arara Azul e desde então procura colaborar com outras iniciativas de conservação através do seu desenho. Atualmente vive em Bonito onde administra o Studio Muriqui, seu ateliê de criação.
Graduada em Ciências Econômicas pela Universidade Paris X e em Marketing & Gestão pelo Programa de MBA da Reims Business School, atuou como Coordenadora de Projetos & Comunicação durante…
Graduada em Ciências Econômicas pela Universidade Paris X e em Marketing & Gestão pelo Programa de MBA da Reims Business School.
Atuação: Coordenadora de Projetos & Comunicação durante 15 anos no Universal Music. Agora, Profissional com o desenvolvimento de estratégia de comunicação e conteúdos para os diversos canais de comunicação, especialmente com os redes sociais.
Graduado em comunicação Social com habilitação em Jornalismo, atua como assessor de imprensa do terceiro setor desde 2010. Apaixonado por fotografia e criação de conteúdo, chegou para somar com a equipe…
Nascido no interior de São Paulo, apaixonado por animais, fotografia e vídeos, formou-se em 2012 pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e desde 2010, quando ainda era voluntário, vem atuando em diversas áreas da comunicação no terceiro setor.
Apicultor no município de Campo Grande (centro de MS). Colaborou nos testes de materiais e métodos de proteção aos Canastras e Colmeias.
Apicultor em Bataguassu (leste de MS). Colaborou nos testes de materiais e métodos de proteção aos Canastras e Colmeias.
Apicultor em Três Lagoas (leste-nordeste de MS). Colaborou nos testes de materiais e métodos de proteção aos Canastras e Colmeias.
Apicultora em Bataguassu (leste de MS). Colaborou nos testes de materiais e métodos de proteção aos Canastras e Colmeias.