O ICAS – Instituto de Conservação de Animais Silvestres é uma organização sem fins lucrativos, dedicada à conservação da biodiversidade, que busca produzir conhecimentos baseados na ciência para dialogar, influenciar e buscar soluções e estratégias que promovem a convivência harmoniosa entre seres humanos e a vida silvestre.
As Dimensões Humanas e a Coexistência formam um dos pilares essenciais do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), reconhecendo que a conservação da biodiversidade vai muito além de proteger apenas as espécies e seus habitats. O sucesso das ações conservacionistas depende, de forma fundamental, da compreensão e do envolvimento das pessoas que dividem o território com a fauna silvestre. Por isso, o ICAS investe em estudos e estratégias que exploram as complexas interações entre seres humanos e vida selvagem, visando reduzir conflitos, promover comportamentos mais sustentáveis e fomentar uma convivência harmoniosa.
Sob a liderança da bióloga e pesquisadora Mariana Catapani, especialista em Dimensões Humanas da Conservação, o ICAS adota uma abordagem holística, que conecta diferentes saberes e disciplinas. Unindo conhecimento científico robusto a narrativas humanas, o instituto integra perspectivas interdisciplinares pra compreender as raízes sociais, culturais e psicológicas das interações entre as pessoas, a vida silvestre e os ecossistemas. Além disso, busca incluir diferentes atores sociais em suas iniciativas, garantindo representatividade, engajamento e influência no processo de tomada de decisão para a conservação. Essa postura integradora fortalece a criação de soluções inovadoras que visam reduzir os impactos negativos das interações, promovendo benefícios reais para comunidades e espécies ameaçadas, como o tamanduá-bandeira e o tatu-canastra.
Dentro dessa perspectiva, o ICAS dedica atenção especial à interação entre infraestrutura viária, pessoas e vida silvestre, por meio do Projeto Bandeiras e Rodovias. Essa iniciativa aplica a abordagem das Dimensões Humanas e da Coexistência para entender e mitigar as colisões entre veículos e animais, promovendo estradas mais seguras para todos. O projeto já investigou fatores psicológicos que influenciam a tomada de decisão dos motoristas ao se depararem com animais na pista e aprimorou as sinalizações de travessia de fauna por meio de uma metodologia transdisciplinar que inclui pesquisa, co-design de soluções e participação coletiva. Além disso, o projeto mapeou os diferentes atores envolvidos na mitigação desses acidentes, identificando barreiras e oportunidades, e vem estabelecendo uma rede participativa entre sociedade civil e autoridades locais para monitorar e cobrar a implementação de medidas efetivas.
Outra iniciativa significativa do ICAS no campo das Dimensões Humanas e Coexistência é o Projeto Canastras e Colmeias, desenvolvido em parceria com apicultores que sofrem prejuízos quando tatus-canastra invadem os apiários em busca de alimento. O ICAS atua junto a esses produtores para implantar soluções práticas, como cercas ou a instalação das colmeias em estruturas elevadas, protegendo tanto a produção de mel quanto os animais silvestres, e fomentando práticas que promovam uma melhor coexistência. Essas ações fazem parte de uma abordagem integrada e inovadora que busca resolver problemas concretos, assegurando que estratégias de conservação sejam ecologicamente eficazes e socialmente justas.
Essa forma de atuação, que integra saberes, escuta diferentes vozes e busca soluções compartilhadas, hoje está presente em todas as iniciativas do ICAS, consolidando a Dimensão Humana como a base ética para a conservação da biodiversidade.
A Saúde Única é um dos pilares do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), que atua sob a premissa de que a saúde da fauna, dos animais domésticos e das comunidades humanas está interligada. A iniciativa busca promover uma abordagem integrada de saúde, unindo ciência, conservação e bem-estar das pessoas e das comunidades que vivem nas áreas de pesquisa dos projetos do Instituto.
Liderada pelo médico-veterinário e pesquisador Danilo Kluyber, essa iniciativa amplia o escopo das ações do ICAS, tradicionalmente voltadas à conservação do tatu-canastra e do tamanduá-bandeira, para incluir também o monitoramento da saúde de animais domésticos e das populações humanas que compartilham o mesmo território. O objetivo é traçar um panorama detalhado das condições de saúde nas regiões onde o ICAS atua, identificar prioridades e planejar intervenções eficazes, como a criação de um calendário vacinal unificado, em parceria com prefeituras, organizações privadas e instituições não governamentais.
Um aspecto inovador desse trabalho é o papel do tatu-canastra como indicador da saúde do ecossistema. Estudos do ICAS revelaram que mais de 100 espécies utilizam, direta ou indiretamente, as tocas escavadas por esse animal, tornando-o uma importante fonte de dados sobre a biodiversidade local. Ao monitorar a saúde do tatu-canastra, os pesquisadores conseguem obter informações valiosas sobre outras espécies que compartilham seu habitat, oferecendo uma visão abrangente das condições ambientais.
Até o momento, já foram realizadas coletas de material biológico do tatu-canastra no Cerrado e no Pantanal, além de amostras de cães e exames em pessoas que vivem nas mesmas regiões. Equipes compostas por médicos e enfermeiros realizam exames clínicos e aplicam questionários para identificar possíveis doenças ou condições de saúde nas comunidades locais. A iniciativa conta com o apoio fundamental de parceiros como as prefeituras de Aquidauana e Três Lagoas, que colaboram com as ações de saúde pública, incluindo vacinação e realização de testes rápidos. Propriedades rurais, como a Fazenda Primavera e a Baía da Pedra, também oferecem suporte logístico para as atividades programadas para a segunda quinzena de agosto.
O conceito de Saúde Única, que integra diferentes áreas do conhecimento para promover a saúde do ecossistema de forma abrangente, orienta todas as ações do projeto. As informações geradas contribuem para estabelecer prioridades em saúde pública e conservação, promovendo benefícios tanto para a biodiversidade quanto para as comunidades humanas que habitam essas regiões. O sucesso da iniciativa é fruto do trabalho conjunto entre instituições públicas, proprietários rurais e comunidades locais, reforçando o compromisso do ICAS com uma abordagem integrada e sustentável para proteger a vida silvestre e o bem-estar humano.