Guia de Práticas para Manejo – Canastras & Colmeias reúne conhecimento científico e saberes locais para reduzir prejuízos na apicultura e fortalecer a conservação da maior espécie de tatu do mundo
O trabalho desenvolvido pelo Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) para reduzir os conflitos entre apicultores e o tatu-canasstra recebeu um importante reconhecimento nacional. O Guia de Práticas para Manejo – Canastras & Colmeias foi certificado como Tecnologia Social pela Fundação Banco do Brasil durante o 13º Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, passando a integrar a Rede Transforma, plataforma que reúne iniciativas inovadoras capazes de gerar transformação social e desenvolvimento sustentável em diferentes regiões do país.
A certificação reconhece tecnologias construídas de forma participativa, com soluções simples, replicáveis e de impacto comprovado na melhoria da qualidade de vida das comunidades. Atualmente, a Rede Transforma reúne mais de 900 tecnologias sociais certificadas em todo o Brasil.
Desenvolvido a partir de mais de uma década de pesquisas sobre a conservação do tatu-canastra no Cerrado sul-mato-grossense, o Guia nasceu da parceria entre pesquisadores e apicultores que conviviam com um problema recorrente: a derrubada de colmeias pelo maior tatu do mundo. Os prejuízos econômicos frequentemente levavam à retaliação da espécie, ameaçada de extinção.
Em vez de tratar o problema apenas do ponto de vista da conservação da fauna, o ICAS adotou uma abordagem colaborativa, ouvindo os produtores, monitorando o comportamento do tatu com armadilhas fotográficas e testando, em conjunto, diferentes formas de proteger os apiários. O resultado foi a construção de um guia prático com 19 medidas de manejo, apresentando vantagens, limitações e níveis de efetividade de cada solução.
“O reconhecimento da Fundação Banco do Brasil reforça que a conservação da biodiversidade também passa pelo diálogo com as pessoas que vivem no território. Essa tecnologia social demonstra que é possível proteger os meios de vida das comunidades e, ao mesmo tempo, conservar uma espécie ameaçada por meio de soluções construídas coletivamente”, destaca a equipe do ICAS.
Hoje, a tecnologia já é utilizada por 101 apicultores distribuídos em cinco estados brasileiros (Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Pará) e três biomas — Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia. Além disso, foi adaptada e implementada em comunidades indígenas do Território do Xingu, ampliando seu alcance e demonstrando sua capacidade de adaptação a diferentes realidades.
As avaliações participativas realizadas pelo projeto apontam altos índices de aceitação entre os produtores. Em entrevistas conduzidas ao longo dos últimos anos, 83% dos apicultores declararam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com as medidas adotadas, relatando redução dos prejuízos, maior segurança para a atividade e uma percepção mais positiva sobre o papel ecológico do tatu-canastra.
Além dos resultados em campo, a iniciativa também recebeu reconhecimento internacional ao ser selecionada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) como um dos 24 estudos de caso mundiais sobre prevenção e manejo de conflitos entre pessoas e fauna silvestre.
Com a certificação da Fundação Banco do Brasil, o Guia passa a integrar oficialmente a Rede Transforma, ampliando sua visibilidade e facilitando a reaplicação da metodologia por instituições, comunidades e produtores de diferentes regiões do país.
O Guia de Práticas para Manejo – Canastras & Colmeias está disponível gratuitamente na plataforma da Rede Transforma e reúne orientações ilustradas, de baixo custo e fácil aplicação, permitindo que cada apicultor escolha a solução mais adequada à sua realidade produtiva.
Sobre o ICAS
O Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) é uma organização brasileira dedicada à pesquisa e conservação da fauna silvestre, desenvolvendo projetos de longo prazo voltados à proteção de espécies ameaçadas e à promoção da convivência entre pessoas e vida silvestre por meio da ciência, educação e participação comunitária.




