Mel certificado como “Amigo do Tatu-Canastra” ganha destaque internacional no maior congresso de apicultura do mundo

Produto certificado pelo projeto Canastras e Colmeias reforça união entre conservação e desenvolvimento econômico

O Projeto Canastras e Colmeias, iniciativa do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), marcou presença no APIMONDIA 2025, realizado em Copenhague, Dinamarca — o maior evento de apicultura do mundo. Representando o Brasil e o Cerrado, o apicultor Adriano Adames, parceiro do projeto e proprietário do Apiário Serra da Bodoquena, apresentou a produção de mel com a certificação “Amigo do Tatu-Canastra”, que reconhece produtores comprometidos com práticas sustentáveis e a convivência harmônica com a biodiversidade.

Para o presidente e fundador do ICAS, Arnaud Desbiez, ter um produto certificado internacionalmente como Amigo do Tatu-Canastra em um evento desse porte valoriza não apenas o trabalho desenvolvido no Cerrado, mas também abre caminhos para que outros apicultores compreendam que é possível conviver com a fauna e, ao mesmo tempo, conquistar mercados internacionais.

“O Cerrado é um bioma extremamente fragmentado e a coexistência entre produção e conservação é urgente. Essa visibilidade internacional é um marco histórico e reforça que o nosso gigante da biodiversidade, o tatu-canastra, pode ser um símbolo positivo para o mercado e para a sociedade”, destacou Arnaud.

Durante o congresso, Adriano participou de nove rodadas de negócios e despertou o interesse de três empresas internacionais que sinalizaram potenciais exportações do mel certificado. Segundo ele, a certificação foi determinante para chamar a atenção dos compradores:

“O embaixador do Brasil na Dinamarca, Leonardo Luís Gorgulho Nogueira Fernandes, destacou em seu discurso que o mundo busca cada vez mais produtos com responsabilidade ambiental e sustentabilidade. Quando apresentei o nosso projeto, o secretário pediu para usá-lo como exemplo e até solicitou mais materiais para divulgação. Isso mostra a força da nossa iniciativa e como o selo Amigo do Tatu-Canastra pode abrir portas”, afirmou o apicultor.

Adriano reforça que a produção do mel certificado envolve custos maiores, já que é preciso cercar e proteger os apiários, garantindo a convivência segura com o tatu-canastra. Ainda assim, as empresas estrangeiras demonstraram disposição em pagar um valor superior, justamente pelo compromisso socioambiental:

“Nosso mel não tem o mesmo preço do concorrente, porque produzir com responsabilidade custa mais caro. Mas eles aceitaram muito bem isso, entenderam a importância e demonstraram interesse real. Se essa exportação se concretizar, será uma conquista não só para o meu apiário, mas para toda a cadeia de produtores parceiros do projeto. Vamos conseguir pagar melhor aos apicultores e fortalecer ainda mais essa rede de conservação”, ressaltou Adriano.

O APIMONDIA acontece a cada dois anos e reúne especialistas, empresas e produtores do setor em diferentes países. A próxima edição será em Dubai, em 2027. Para Adriano, o passo dado na Dinamarca foi histórico:

“Foi a primeira vez que conseguimos mostrar o nosso mel com certificação internacional em um evento dessa dimensão. Isso nos dá visibilidade, abre mercados e, principalmente, reforça que preservar o tatu-canastra é também uma oportunidade de desenvolvimento sustentável para toda a comunidade.”

Com iniciativas como esta, o ICAS e seus parceiros demonstram que é possível transformar desafios em oportunidades, criando soluções que unem conservação, geração de renda e valorização da biodiversidade brasileira.

O Projeto Canastras e Colmeias 

O Projeto Canastras e Colmeias nasceu em 2015 a partir de pesquisas sobre o tatu-canastra no Cerrado de Mato Grosso do Sul e rapidamente se transformou em uma iniciativa pioneira de conservação e apicultura sustentável. Durante os estudos de campo, foi identificado um conflito inusitado: os tatus-canastra, ameaçados de extinção, passaram a derrubar colmeias em busca de alimento, especialmente em áreas de vegetação nativa onde apicultores instalam seus apiários. Para reduzir os prejuízos e promover a convivência pacífica, o projeto desenvolveu estratégias como o Guia de Convivência entre Apicultores e Tatus-Canastra, propondo soluções acessíveis e eficazes, como cercamentos e cavaletes altos, sempre respeitando a fauna local.

Além de mitigar conflitos, o projeto passou a valorizar e apoiar os apicultores que adotam práticas sustentáveis, criando o Selo Amigo do Tatu-Canastra e o Programa Rainhas, além de estimular a economia criativa por meio de oficinas e feiras. Hoje, reúne cerca de 100 apicultores certificados e já atua em quatro estados — Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Pará — fortalecendo não apenas a apicultura, mas também a conservação do tatu-canastra. Ao escolher produtos certificados, consumidores ajudam a proteger esse gigante da biodiversidade e incentivam um modelo de produção que alia conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico.

Compartilhe:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

NOTÍCIAS RELACIONADAS

FALE CONOSCO

Dúvidas sobre o ICAS? Gotaria de fazer denunciar praticas que ameaçam o meio ambiente? Fale conosco, responderemos o mais breve possível.