Sr. Eugênio

Feirante de tradição, apicultor por profissão: É assim que Eugênio opera em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, onde mantém suas cento e cinquenta colmeias, todas na beira do rio Paraná.

No Assentamento Mutum, um território em forma de bota entre os municípios de Brasilândia, Ribas do Rio Pardo e Santa Rita do Pardo, ele produz caixas e cuida das colmeias que nelas habitam.
Nem sempre a apicultura foi parte da vida de Hudson: com 60 anos, já viajou muito pelo Brasil. Nascido em Corumbá, foi morar no Rio de Janeiro, voltou a morar em Mato Grosso do Sul, e finalmente criou raízes no assentamento. Foi marceneiro por quarenta anos, e, no começo, da apicultura só fazia as caixas: “Toda vida quis mexer com abelhas, mas tinha medo”, confessa.
Apesar disso, foi encontrando confiança ao trabalhar junto aos vizinhos: Hudson fazia caixas e estreitando os laços de parceria com os apicultores do assentamento, até que comprou o macacão e finalmente ganhou asas no mundo das abelhas. Em 2017, fez o primeiro curso de apicultura, e desde então tem se profissionalizado na produção de mel, mas sem esquecer os amigos e vizinhos: “a união é sempre importante”, ressalta, pois está sempre trabalhando com o grupo de apicultores do assentamento, seja para capturas de enxames nos arredores da propriedade ou manejo.
Hoje, tem dez caixas no apiário, mas já teve o triplo desse número: o culpado pela drástica redução de colmeias foi o tatu-canastra, que chegou a destruir vinte e cinco colmeias em uma única ocasião. O tatu, um insetívoro obrigatório, depende do cerrado para sobreviver, e o assentamento está cercado por monoculturas, o que faz que apicultores e canastra sejam obrigados a dividir as mesmas áreas. Dessa forma, acontecem os acidentes – e os prejuízos. Hudson conta que ele e os vizinhos já perderam muitas colmeias para o maior tatu do mundo, e no início havia muito ressentimento, tanto contra o canastra quanto contra o tamanduá-bandeira, que por vezes passava nos apiários depois que o tatu já havia quebrado as caixas. Os cavaletes vieram para mudar tudo isso: altas e bem amarradas, as caixas estão agora fora do alcance do canastra, e as perdas não são mais tão frequentes.
Apesar disso, ainda há desafios: a captura de enxames está cada vez mais difícil. Os apicultores da região estão tendo que se afastar de suas casas e procurar as rotas migratórias das abelhas para deixar as caixas iscas, quando há alguns anos elas entravam nas caixas até nos quintais da propriedade ou nos forros dos telhados. Os enxames, também, muitas vezes chegam fracos ou não permanecem nas caixas. O assentamento também está cada vez mais seco, e tem lidado com cada vez mais incêndios: “infelizmente, tem gente que derruba a vegetação e acha melhor botar fogo”, conta.
No ano passado, teve que lidar com um cenário desesperador: o fogo se aproximou pelos fundos do lote e Hudson se juntou com os vizinhos para tentar apagar, mas recuando a cada passo. Quando o fogo pulou para o interior da propriedade e pegou força, no entanto, perceberam que a batalha estava perdida. “nós falamos: corre que não dá mais pra apagar”, relembra. Apesar disso, o Cerrado se recupera diante do fogo, e Hudson também. Hoje, permanece na apicultura e na marcenaria, e fala da esperança para o futuro: “eu não quero trabalhar com apicultura como hobbie, eu quero mesmo é ser apicultor”.
Heloísa

Ao chegar em Campo Grande, Heloísa andou nas matas para escutar as abelhas, é o que conta a apicultora, que veio de Aral Moreira, no sul do estado, para a capital há mais de seis anos.
Gilson, Josiele e seus filhos, Miguel e Rafaela

“Se você colocar a apicultura como uma escada, a gente subiu toda a escada não pulamos nenhum degrau”, é o que conta Gilson Partzlaff, que trabalha no ramo há cerca de dez anos.
Elizeu Lima

Da escuridão do analfabetismo à Voz Áurea do mel: A logomarca do apiário de Elizeu, um apicultor que trabalha no município de Três Lagoas, é uma árvore seringueira que estampa os rótulos de mel do apiário batizado de Voz Áurea, nome e símbolo que carregam uma rica história.
Eduardo Moreno

A história de Eduardo com as abelhas começou há trinta anos, numa fábrica de refrigerantes em Ribeirão Preto. A fábrica ficava na área rural, e na propriedade passava um córrego, com reserva de mata e muito bicho silvestre. Na época, Eduardo trabalhava com segurança de trabalho e um dia recebeu um chamado inesperado: um caminhão chegou para descarregar suprimentos, mas havia um enxame entre os pallets.
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