
O Programa de Conservação do Tatu-Canastra nasceu no Pantanal em 2010 e hoje atua também no Cerrado e na Mata Atlântica, utilizando tecnologia como armadilhas fotográficas e GPS para revelar a ecologia e os hábitos dessa espécie rara e vulnerável.
O Projeto Tatu-Canastra no Pantanal começou em 2010, na Fazenda Baía das Pedras, situada na sub-região da Nhecolândia, no Mato Grosso do Sul (MS). O objetivo era desvendar aspectos essenciais da ecologia, biologia, saúde, genética e história natural do maior tatu do mundo, uma espécie rara e até então pouco estudada. Para isso, a equipe utilizou e ainda utiliza armadilhas fotográficas, rádios transmissores e realiza a coleta de material biológico, métodos fundamentais para compreender os hábitos, o comportamento e a saúde desse animal singular, atualmente classificado como vulnerável na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
Após mais de uma década de trabalho, o projeto já conseguiu monitorar 44 indivíduos no Pantanal, um resultado expressivo para uma espécie tão rara como o tatu-canastra (Priodontes maximus). Sua baixa densidade populacional — estimada em apenas 7 a 8 indivíduos a cada 100 km² — está diretamente relacionada ao seu ciclo reprodutivo lento, já que as fêmeas têm apenas um filhote a cada três ou quatro anos.
Após mais de uma década de trabalho, o projeto já conseguiu monitorar 44 indivíduos no Pantanal, um resultado expressivo para uma espécie tão rara como o tatu-canastra (Priodontes maximus). Sua baixa densidade populacional — estimada em apenas 7 a 8 indivíduos a cada 100 km² — está diretamente relacionada ao seu ciclo reprodutivo lento, já que as fêmeas têm apenas um filhote a cada três ou quatro anos.
Cada tatu monitorado representa uma oportunidade valiosa de reunir informações que ajudam a preencher lacunas importantes sobre a biologia e a conservação da espécie. Esses dados são fundamentais não apenas para proteger o tatu-canastra, mas também para compreender o funcionamento do ecossistema pantaneiro, onde cada animal — inclusive o ser humano — desempenha papéis essenciais para a sobrevivência da biodiversidade. O tatu-canastra é um desses protagonistas, considerado um verdadeiro engenheiro do ecossistema, ao cavar grandes tocas que servem de abrigo para diversas outras espécies.
Além da pesquisa, o projeto investe fortemente na formação de novos profissionais, tendo capacitado mais de 100 estagiários e voluntários em técnicas de campo, manejo e conservação de fauna silvestre. Outro marco importante foi a criação, em 2021, de uma brigada comunitária de combate a incêndios, fruto da parceria com o INCAB/IPÊ e a Fazenda Baía das Pedras. Essa iniciativa hoje integra 25 propriedades rurais e protege 160.000 hectares do Pantanal, realizando treinamentos anuais para enfrentar os desafios do período de estiagem. Proteger o tatu-canastra no Pantanal significa também conservar o bioma,
Em 2015, o então Projeto Tatu-Canastra se transformou no Programa de Conservação do Tatu-Canastra e expandiu suas atividades para o Cerrado sul-mato-grossense. Nessa região, o tatu passou a buscar alimento em colmeias, o que gerou desafios com apicultores, sobretudo devido às alterações no ambiente provocadas pelo desmatamento e pela fragmentação do bioma. Para mitigar esse impacto, nasceu o Projeto Canastras e Colmeias, que avaliou práticas de manejo já usadas pelos apicultores e consolidou essas estratégias em um Guia de Boas Práticas para promover a convivência harmoniosa com a espécie.
Desde 2022, o Programa também desenvolve ações no Parque Natural Municipal do Pombo, em Três Lagoas (MS), em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agronegócio. No local, são utilizadas 80 armadilhas fotográficas com sensores de movimento e dispositivos de GPS para monitorar a única população conhecida de tatu-canastra sob proteção em unidade de conservação na região. Com mais de 80 km² de mata nativa preservada, o parque representa um importante refúgio para a fauna do Cerrado e oferece condições ideais para os estudos do programa.
Alguns tatus já foram capturados na área e, desde então, são monitorados por tecnologia GPS, além de registros contínuos obtidos por armadilhas fotográficas. Esse acompanhamento fornece informações preciosas sobre deslocamentos, hábitos e áreas utilizadas pela espécie, essenciais para traçar estratégias de conservação. O trabalho em parceria com a Prefeitura de Três Lagoas e a administração do parque fortalece as políticas ambientais locais, contribui para identificar áreas prioritárias à criação de corredores ecológicos e reforça que conservar o tatu-canastra no Cerrado é também proteger toda a riqueza natural que sustenta esse bioma.
Na Mata Atlântica, a equipe do Programa de Conservação do Tatu-Canastra concentra seus esforços no Parque Estadual do Rio Doce (PERD), a maior área contínua de mata nativa em Minas Gerais, com quase 36 mil hectares. Desde 2020, mais de 700 imagens da espécie foram registradas pelas armadilhas fotográficas espalhadas pelo parque, permitindo até o momento a identificação de 40 indivíduos. O PERD é considerado estratégico por abrigar o que pode ser a última população viável do tatu-canastra no bioma, reforçando sua importância como refúgio para essa e outras espécies ameaçadas de extinção.
O monitoramento inclui visitas quinzenais e o uso de 80 armadilhas fotográficas acionadas por sensores de movimento, permitindo um acompanhamento detalhado da fauna. Além do tatu-canastra, cerca de 80 outras espécies foram registradas interagindo com suas tocas, reforçando o papel do animal como engenheiro ambiental, função que exerce também em outros biomas.
Os estudos no PERD ajudam a compreender as ameaças enfrentadas pelo tatu-canastra, que já comprometeram populações da espécie em áreas do Espírito Santo. Diante desse cenário, o trabalho no parque busca gerar informações que orientem políticas públicas e ações de conservação, para evitar que possíveis declínios populacionais se tornem irreversíveis. O objetivo agora é ampliar as pesquisas para fragmentos florestais no entorno do PERD, a fim de confirmar a presença da espécie e direcionar estratégias ainda mais eficazes. Conservar o tatu-canastra na Mata Atlântica
O Projeto Canastras e Colmeias surgiu em 2015, inicialmente como complemento de uma pesquisa para mapear a ocorrência do tatu-canastra no Cerrado de Mato Grosso do Sul. Durante os trabalhos de campo, os especialistas em fauna interagiram com mais de mil produtores rurais para obter acesso às terras privadas. Nesse processo, identificaram um conflito inesperado: os tatus-canastra, gigantes ameaçados de extinção, passaram a derrubar colmeias em busca de larvas de abelhas.
O canastra se alimenta mais frequentemente de cupins e formigas, mas pode recorrer às larvas de abelhas quando encontram fácil acesso e, sobretudo, quando há escassez de seu alimento natural nos fragmentos de Cerrado. O problema ocorre porque os apicultores instalam suas colmeias justamente nas áreas de vegetação nativa, que também são habitat essencial para os tatus-canastra. Com o avanço do desmatamento e a redução da oferta natural de alimento, o tatu-canastra tem recorrido às colmeias, causando prejuízos significativos à produção de mel e seus derivados.
O tatu-canastra (Priodontes maximus) é exclusivo da América do Sul e pode ser encontrado nos biomas Pantanal, Amazônia, Cerrado e em áreas remanescentes da Mata Atlântica. Mede cerca de 1,5 metro de comprimento e pode pesar até 50 quilos. Discreto e de hábitos noturnos, passa grande parte do tempo escavando tocas profundas, que podem chegar a 5 metros de comprimento e 1,5 metros de profundidade.
A reprodução do tatu-canastra é extremamente lenta: o animal atinge a maturidade sexual apenas entre 7 e 9 anos de idade e, a partir daí, a fêmea tem gestação de cerca de cinco meses, produzindo apenas um filhote a cada três ou quatro anos. Esse ciclo reprodutivo tão longo torna a espécie especialmente vulnerável a pressões ambientais. Além disso, as tocas abandonadas pelo tatu-canastra tornam-se verdadeiros refúgios, utilizados por mais de 100 espécies de vertebrados e cerca de 300 espécies de invertebrados, desempenhando um papel crucial no equilíbrio dos ecossistemas.
Apesar de sua relevância ecológica, o tatu-canastra está ameaçado de extinção, principalmente pela perda e fragmentação de seus habitats. A conservação da espécie é, portanto, essencial não só para sua própria sobrevivência, mas também para manter a complexidade e a diversidade dos ambientes onde vive.
Beauval Nature (France)
Association Française des Parcs Zoologiques – AfdPZ (France)
l´Association Jean-Marc Vichard pour la Conservation (France)
l’Association Francophone des Vétérinaires de Parc Zoologique
Audubon Zoo (USA)—ZCOG Partner
Augsburg Zoo (Germandy)
AZA Conservation Grant Funds (USA)
Bergen County Zoo (USA)
Brevard Zoo (USA)
Cerza Zoo (France)
Chattanooga Zoo (USA) – ZCOG partner
Chester zoo (UK)
Cleveland Metroparks Zoo, Scott Neotropical Fund (USA)
Columbus Zoo (USA)
Conservation des Espèces et des Populations Animales (CEPA) (France)
Disney Conservation Fund (DCF)(USA)
Fresno Chaffee Zoo Wildlife Conservation Fund (USA)
Frank Buck Zoo, (USA)-ZCOG partner
Greenville Zoo, (USA)- ZCOG partner
Hattiesburg Zoo (USA)
Houston Zoo, (USA)
Idea Wild (USA)
Jacksonville Zoo (USA) – ZCOG partner
Louisville Zoo AAZK Chapter
Oklahoma City Zoo (USA)
Omaha’s Henry Doorly Zoo (USA)
Minnesota Zoo (USA)
Mohamed bin Zayed Species Conservation Fund (UAE)
Naples Zoo at Caribbean Gardens (USA)
Nashville Zoo (USA)
Natural Research (MMA) (UK)
National Geographic (USA)
Papoose Conservation Wildlife Foundation (USA)
Pittsburgh Zoo & Aquarium (USA)
Phoenix Zoo, (USA)
Prince Bernhard fund for Nature (Holland)
Quagga (Holland)
Reid Park Zoo teen volunteers (USA)
Reid Park Zoo (USA)
Riverbanks Zoo and Gardens (USA)
Royal Zoological Society of Scotland (RZSS)
Sacramento Zoo (USA)
Salisbury Zoo-Chesapeake AAZK (USA) – ZCOG partner
San Antonio Zoo and Aquarium (USA)- ZCOG partner
Sea World Busch Gardens (USA)
Tapeats (USA)
Taronga Zoo (Australia)
Taiwan Forestry Bureau (Taiwan)
Tucson AAZK Chapter
Wilhelma Zoo (Germany)
Whitley Fund for Nature (UK)
Worclaw Zoo (Poland)
Zoo Atlanta (USA)
O selo Amigo do Tatu-Canastra foi criado para reconhecer os apicultores que adotam práticas de manejo sustentável, capazes de proteger tanto as colmeias quanto o tatu-canastra. Em parceria com os produtores, foram desenvolvidas diversas técnicas para reduzir os ataques aos apiários sem prejudicar a fauna local.
Os produtos (mel e derivados) desses apicultores recebem a certificação do selo, identificando que a produção ocorre em harmonia com a preservação ambiental. Esse diferencial tem gerado impactos positivos: as vendas dos produtos certificados aumentaram cerca de 20% e o valor agregado do mel teve um acréscimo de 15%. Além de valorizar a biodiversidade, o selo incentiva práticas mais sustentáveis no setor apícola e oferece aos consumidores a oportunidade de contribuir ativamente para a conservação do tatu-canastra ao escolher produtos com a certificação.
O Programa Rainhas foi desenvolvido para apoiar os apicultores que sofreram grandes perdas devido aos ataques do tatu-canastra. Muitos produtores chegaram a perder parte significativa das suas colmeias. Pensando nisso, o Projeto decidiu ajudar diretamente na recuperação da produção.
A iniciativa oferece abelhas rainha de linhagem selecionada e alta qualidade para os apicultores parceiros, possibilitando a recomposição dos enxames afetados e garantindo o retorno da produtividade nos apiários. Essa ação é especialmente importante para pequenos produtores, que muitas vezes não possuem certificação sanitária formal, mas ainda assim são impactados economicamente pelos ataques do tatu-canastra.
Entre as metas do Projeto, está a distribuição de centenas de abelhas rainha nos próximos meses, beneficiando dezenas de apicultores e demonstrando que é possível equilibrar a proteção da biodiversidade com o desenvolvimento sustentável da apicultura no Cerrado.