Uma história de parceria e evolução através da apicultura: Nilson e sua esposa Jocimar Guilherme da Silva são um casal que está sempre trabalhando junto, especialmente quando falamos da apicultura: em 2023, eles vão completar dois anos trabalhando com as abelhas, um trabalho do qual têm orgulho: um trabalho do qual têm orgulho: “As pessoas só entendem você quando elas ouvem você explicar a importância das abelhas e do seu trabalho, o trabalhão que dá” Jocimar conta.
A ideia começou em Rio Negro, numa região onde o pai de Jocimar plantava muitas árvores frutíferas, o que atraía muitas abelhas. Pensaram em trabalhar com as abelhas, mas Jocimar teve a ideia de começar mais perto de casa – em Campo Grande – antes de expandir os negócios.
“O bombeiro ligava para capturar os enxames”, Nilson relembra. Numa ocasião, recebeu uma ligação para pegar uma colmeia que estava dentro de uma caixa que um dia foi um ninho de arara, há mais de vinte metros de altura. Chegando lá, o bombeiro quis pegar a caixa nas costas “rapaz, cê não aguenta”, Nilson se lembra de dizer, na hora. Foi do apicultor a ideia de usar duas escadas, amarrar a caixa na ponta de uma delas e ir descendo até chegar no chão. Quando finalmente pegaram a colmeia, tinha uns 45kg.
As capturas de colmeias são sempre feitas à noite, período em que as abelhas são menos ativas. Ao chegar em casa tarde da noite, Nilson foi carregar a caixa numa carriola, mas a roda bateu e a caixa caiu.
“Estava sozinho e não consegui levantar”, ele conta. No dia seguinte, a caixa estava escorrendo mel, e, quando o casal foi ver, os favos haviam descolado da colmeia e, por azar, esmagado a rainha e boa parte das larvas.
“Foi aí que parei de fazer captura, um trabalhão desses pra chegar aqui e matar a rainha” conta Nilson.
Apesar dessas primeiras dificuldades, o casal só progrediu: de 15 colmeias, segundo a última entrevista do ICAS, passaram para 56 colmeias. Algumas dessas caixas, cuidam em casa mesmo, aproveitando que moram perto de uma das áreas verdes de Campo Grande: possuem um sistema de “berçário”, fortalecendo as abelhas com mel de nabo e garantindo o crescimento das colmeias, mas muitas outras caixas estão também em fazendas parceiras nas proximidades de Campo Grande.
Quando perguntada sobre o tatu-canastra, Jocimar, que faz o manejo das abelhas junto com o esposo e também lê muitos artigos da IAGRO, disse que já imaginava que teria tatu por perto, pois afinal, vivem em Mato Grosso do Sul, onde tem muito cerrado.
“Quando entramos na apicultura, a primeira coisa que disseram é que tinha o tatu, e eu fui pesquisar sobre o tatu-canastra”. Entraram para o projeto após colocar as colmeias numa fazenda em que sabem que vive o tatu, e por isso nunca tiveram problemas: prefeririam prevenir a remediar, e já instalaram as colmeias em cavaletes que ficam há cerca de um metro e dez centímetros do solo, fora do alcance do tatu.
O material é caro, e o casal cita a falta de apoio dos órgãos do governo como uma das dificuldades para começar na apicultura. Nilson é eletricista na cidade, e esse emprego tem sustentado os primeiros investimentos: “gastamos muito, não desistimos porque temos um lucro por fora”.
Enfrentando as dificuldades através de muita pesquisa e parceria, o casal foi crescendo na apicultura. Jocimar conta que o objetivo é ir crescendo as colmeias e chegar em duzentas caixas, para que possam se sustentar só com o mel.