
Waldemir Pereira
Da Serra do Amolar, no coração do Pantanal Sul, a Campo Grande, capital do estado: essa foi a jornada de Waldemir Pereira Rosa na apicultura.
A série “Vozes do Mel” é uma iniciativa emblemática do projeto Canastras e Colmeias, dedicada à proteção do tatu-canastra e ao fomento da coexistência harmônica entre apicultores e esse gigante da biodiversidade, o maior dos tatus. Até o momento, mais de 100 apicultores em cinco estados brasileiros já receberam a certificação “Amigo do Tatu-canastra”.
Esses apicultores adotam práticas não letais para manter o tatu distante das colmeias, encorajando-o a buscar sua alimentação convencional, que são cupins e formigas, em vez das larvas de abelhas.
Nesta série, o acadêmico de biologia e escritor Arthur Bellini conduziu entrevistas com dez desses apicultores certificados, buscando capturar e compartilhar suas trajetórias e contribuições para a conservação do tatu-canastra. “Vozes do Mel” oferece um vislumbre íntimo das vidas desses indivíduos, revelando os desafios da apicultura e a beleza intrínseca de trabalhar em harmonia com as abelhas e a natureza.
Nosso objetivo com “Vozes do Mel” é não apenas celebrar esses apicultores, mas também expandir o alcance do Projeto Canastras e Colmeias, promovendo a conservação contínua e a coexistência entre seres humanos e a fauna local. Esperamos que através dessa série você se conecte com a história de cada apicultor, conheça mais sobre essa profissão e principalmente a paixão de cada um deles pela natureza.

Da Serra do Amolar, no coração do Pantanal Sul, a Campo Grande, capital do estado: essa foi a jornada de Waldemir Pereira Rosa na apicultura.

“Quer mel?” A jornada que começou nas feiras do Pará e acabou na vanguarda da associação de apicultoras de Paraupebas: Quando criança, Rosemi ia à feira com a mãe, sentava-se num tapete com uma bolsinha de dinheiro e ajudava a vender tudo o que era produzido na fazenda da família.

Há quase 30 anos, Odair dedica sua formação e sua vida à recuperação de dependentes químicos e alcoólatras.

Severiano trabalha há oito anos com as abelhas, mas essa história é muito mais antiga e profunda que isso – história para lá de década.

No interior de Mato Grosso do Sul, em um remanescente de Cerrado cercado por silvicultura, há uma casa colorida, toda feita de materiais recicláveis, crivada de artesanatos e obras de arte. Mais que uma casa, é também uma escola e centro de treinamento, onde os vizinhos de Sebastião podem frequentar oficinas de economia criativa, agrofloresta e agricultura familiar, em parceria com o SENAR e, recentemente, outras instituições, como o ICAS.

Desde criança, Kel já sonhava com as abelhas: o padrinho era apicultor, e ela acompanhava e ajudava na lida e no campo. Nascida e criada em Três Lagoas, sempre teve uma relação de proximidade com a natureza. A propriedade da família, pelo avô na época em que o trem ainda carregava passageiros pelo interior de Mato Grosso do Sul, é cercada por áreas de Cerrado e campos de guavira; agraciada com uma diversidade de aves e bichos que vêm visitar as árvores frutíferas plantadas no quintal.

Uma história de parceria e evolução através da apicultura: Nilson e sua esposa Jocimar Guilherme da Silva são um casal que está sempre trabalhando junto, especialmente quando falamos da apicultura: em 2023, eles vão completar dois anos trabalhando com as abelhas, um trabalho do qual têm orgulho: um trabalho do qual têm orgulho: “As pessoas só entendem você quando elas ouvem você explicar a importância das abelhas e do seu trabalho, o trabalhão que dá” Jocimar conta.

Criatividade e preservação a serviço do mel: Marcus Capillé é um apicultor com vinte anos de experiência e com uma rica história tanto na região de Campo Grande quanto no interior do estado de Mato Grosso do Sul. A decisão de trabalhar com as abelhas veio da paixão pela natureza: Marcus afirma que sempre teve vocação para a lida rural, e quando se viu com a vida já estruturada, as filhas já crescidas, foi estudando, fazendo cursos e se identificou.

O que a marcenaria tem a ver com a produção de mel? Para o Leo, que trabalha com as duas coisas, a resposta seria tudo.

Feirante de tradição, apicultor por profissão: É assim que Eugênio opera em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, onde mantém suas cento e cinquenta colmeias, todas na beira do rio Paraná.
Ao conversar com os apicultores do Cerrado de MS sobre os danos causados pelos tatus-canastra, os especialistas em fauna iniciaram um projeto complementar de pesquisa.
O objetivo, desta vez, era entender quando e por que os tatus-canastra atacam as colmeias e como evitar os danos.
Conflitos entre humanos e animais da fauna silvestre são comuns em todo o mundo. Os mais frequentes envolvem felinos (ou outros carnívoros) e animais de criação, como bovinos, ovinos e aves. Mas também há estragos em plantações, causados por porcos-do-mato e macacos.
No caso do Cerrado do Mato Grosso do Sul, com a colaboração de 10 associações de apicultores, os pesquisadores mapearam 178 apiários. Do total, 73% tiveram danos causados por tatus-canastra nos últimos 5 anos e 46%, no último ano.
Em alguns apiários, os especialistas instalaram câmeras acionadas por movimento. E puderam observar o comportamento dos tatus-canastra e de outros animais silvestres, que eventualmente se aproximaram das caixas destruídas.
Com imagens de tatus-canastra gravadas nos apiários e grande contribuição dos apicultores, diversas medidas para evitar os danos às colmeias foram avaliadas quanto à sua eficiência, custos e facilidade de instalação/operação. Colocar as caixas fora do alcance do tatu-canastra é a melhor maneira de promover sua convivência pacífica com os apicultores.
Isso pode ser feito por meio de cercas em torno de todo o apiário ou com cavaletes altos e firmes, em cima dos quais ficam as caixas com o mel, as abelhas e as larvas de abelhas. A descrição das diversas medidas avaliadas, seus prós e contras, está no item Soluções Possíveis, neste site. E, também, no Guia de Convivência entre Apicultores e Tatus-canastra no Cerrado do Mato Grosso do Sul, disponível logo abaixo.
Em conjunto com apicultores, estão sendo desenvolvidoa novas práticas para proteger as colmeias de ataques do tatu-canastra e ao adotar estas medidas, todos os produtos (mel e derivados) desta propriedade receberão um selo de certificação, “Produtor amigo do tatu-canastra”. Assim, apicultores serão beneficiados e se tornarão protetores do nosso gigante da biodiversidade.